REVIEW | Amores Verdaderos - amores impossíveis de esquecer

- Crítica originalmente escrita em 20/02/2020 
Levada ao ar em 2012 pelo canal Las Estrellas, em 181 capítulos, Amores Verdaderos foi um verdadeiro fenômeno de audiência no México. A trama era exibida na faixa do horário estelar, às 21h.  O folhetim foi produzido por Nicandro Díaz González (A Dona, Amanhã é Para Sempre) e contou com a direção de cena de Salvador Garcini (mais à frente falaremos sobre esse senhor!).


Apesar do enorme sucesso, Amores Verdaderos não era uma história original, mas sim um remake da novela argentina Amor en Custodia (2005). Curiosamente, a TV Azteca, principal concorrente do grupo Televisa, já havia lançado uma versão da novela no México. Sendo assim, Amores Verdaderos foi a segunda adaptação mexicana dessa história.

QUAL A HISTÓRIA?

Victoria Balvanera (Erika Buenfil) é uma importante empresária do ramo publicitário, casada com o também empresário Nelson Brizz (Guillermo Capetillo). Após ser vítima de um atentado em sua fazenda, Victoria decide contratar um segurança particular: José Ángel Arriaga (Eduardo Yáñez), um camponês que a salva no dia do atentado.

Inicialmente, Victoria contrata Francisco Guzmán (Sebastián Rulli). Porém, após Arriaga aceitar a proposta de emprego, Guzmán acaba ficando responsável pela segurança da filha da ricaça, a patricinha Nikki Brizz (Eiza González), que sofre com distúrbios alimentares. A partir daí, a história segue uma sequência de reviravoltas que vão colocar à prova o que realmente é um amor verdadeiro.

MAS É BOA?

Com esses rostinhos tem como ser ruim? Old que não! (Foto: Divulgaçção)


A trama reúne grandes elementos clássicos de um folhetim: vilões perigosos, triângulos amorosos, segredos do passado e, claro, muitas reviravoltas. Todavia, Amores Verdaderos sofre de um mal necessário em tramas tão extensas: a famosa “barriga”. Sim, em alguns momentos a história parece não evoluir em NADA!

Porém, para quem curte uma boa história de amor, essa questão pode não ser um problema tão grande, pois enquanto a trama principal não anda, os casais protagonistas são um charme à parte.

Os primeiros 20 capítulos são bem interessantes, em grande parte pelas constantes tentativas de sequestro e/ou assassinato lideradas pelos vilões da trama, Kendra Ferretti (Marjorie de Sousa) e Salsero (Francisco Gattorno).

Cristina, Arriaga e Liliana (Foto: Divulgação).

Depois disso, a novela entra em um arco chato e desnecessário em que a personagem Odette Longoria (Lilia Aragón), para não ficar esquecida no churrasco, contrata Kendra para prejudicar a relação entre Victoria e Nelson e, assim, enfraquecer a empresa da família, a Meta Imagen Internacional, já que Odette é dona da empresa concorrente. Esse arco é tão desnecessário que, no fim, resulta em zero multiplicado por qualquer número, by Nikki Brizz. Ou seja: NADA!

A história começa a melhorar quando Adriana, personagem de Natalia Esperón, resolve retornar ao México para investigar a morte de sua filha recém-nascida, batendo de frente com seu pai, Aníbal Balvanera (Enrique Rocha). Maaaas o plot não é solucionado logo e, então, lá vem mais barriga.

Depois de alguns anos, um antigo namorado de Victoria retorna, agora sob a identidade de Joan Constantin (Lisardo), um diretor que escolheu a Cidade do México como cenário para a gravação de seu novo projeto.

Enquanto isso, Nikki resolve se casar com Roy (Eleazar Gómez), mesmo estando apaixonada por seu segurança particular, Guzmán. Nesse meio-tempo, surgem alguns arcos interessantes, como a redenção de Salsero, que se apaixona pela irmã de Guzmán, Beatriz (Susana González).

Liliana, Guzmán e Nikki (Foto: Divulgação).

Após esses acontecimentos, a novela adquire um ritmo mais constante e assim segue até o final, com exceção de alguns momentos, risos. A reta final da trama é bem envolvente, com todos os segredos sendo jogados na cara dos personagens na ÚLTIMA SEMANA.

Porém, como já falei acima, o romance dos casais protagonistas é o ponto forte e, nesse quesito, o desenvolvimento é satisfatório e faz você ficar atento a cada capítulo.

TEM CIRCO?

Claro! Esse é um elemento que não pode faltar em folhetins clássicos. E Amores Verdaderos bebe dessa fonte em diferentes ocasiões e adaptações, até porque a novela foi adaptada por três escritores diferentes ao longo de sua exibição.

Começou sob o comando de Kary Fajer, depois o texto passou para as mãos de Ximena Herrera e, em seguida, para o experiente Alberto Gómez — leia também a melhor fase da novela. A cada mudança de roteirista, a trama ia para um rumo diferente, e isso era evidente na tela. Kary Fajer voltou a assumir por completo a adaptação da trama nos últimos meses.

As fases escritas por Kary Fajer e Ximena Herrera não apresentavam muita diferença: ritmo lento e maior foco no desenvolvimento dos personagens. Já Alberto Gómez soube dar um pouco de gás à trama com um arco envolvendo o sequestro de Beatriz e de seu filho pelo marido abusivo, Leonardo (Julio Camejo), com direito à criança indo parar no lixão e sendo cuidada por um ancião durante algum tempo. Risos.

Protagonista moral? Temos! (Foto: Divulgação).

Outro momento legal dessa fase foi quando Victoria descobriu que Kendra era amante de seu esposo, Nelson. E claro que tivemos muito puxão de cabelo, tapa na cara e, porque novela mexicana sem isso não seria novela mexicana, o clássico bordão: “Mil vezes maldita!”

A vilã Kendra era super à frente de seu tempo e acumulava suas vítimas — não foram muitas — à base de um veneno mortal que, ao tocar na pele, levava a pessoa à morte imediata!

Na reta final, o público ainda foi surpreendido com o mocinho Arriaga ficando cego no penúltimo capítulo, depois de descobrir que Liliana (Sherlyn) não era sua filha biológica. Porque aparentemente a novela olhou para o público e pensou: “Já chegamos até aqui mesmo, então vamos perder o medo do ridículo.”

E sabe aquelas tramas em que todo mundo descobre, no final, que é parente? Pois bem, Amores Verdaderos também teve isso.

Próximo ao capítulo 100, Cristina (Mónika Sánchez), esposa de Arriaga, descobre ser meia-irmã de Victoria, pois sua mãe, Candelária (Ana Martín), teve um caso com Aníbal. Pouco antes disso, Nikki descobre que a mãe de Guzmán, Paula (Silvia Manríquez), está viva e é amante de seu avô.

Tudo se resolve em família (Foto: Divulgação).

Como se não bastassem essas coincidências, Candelária, mãe de Cristina, revela que Liliana não é sua neta, tampouco filha biológica de Cristina e Arriaga, já que a criança nasceu morta.

Mas tudo continua em família, porque, na verdade, Liliana é a filha perdida de Adriana. Ou seja: ela não é filha biológica de Cristina, mas sim sua sobrinha, já que Cristina é meia-irmã de Adriana.

É árvore genealógica que você quer? Então toma!

O MELHOR DE AMORES VERDADEROS

Nikki e Guzmán

Esse casal roubou a cena da novela toda. A química entre Sebastián Rulli e Eiza González foi instantânea e encantadora.

Foi aqui que falaram em química? Temos! (Foto: Divulgação).

Nikki era mimada, arrogante e preconceituosa, personagem com as características ideais para uma boa construção. A personagem evolui muito ao longo da trama, e isso faz dela um grande destaque, junto com a atuação de Eiza, que construiu uma garota rica, porém sem aquela ideia estereotipada de que sua vida era perfeita.

Guzmán era totalmente o contrário de Nikki: solidário, humilde e responsável. Somado ao carisma de Rulli, foi um prato cheio para a construção do personagem. Aqui tivemos uma das melhores performances do ator — se não, a melhor, risos. Nikki e Guzmán representam aquele tipo de casal que rouba a novela e acaba se tornando o favorito do público.

Mónika Sánchez como Cristina

Foi difícil torcer por Arriaga e Victoria no início, já que Cristina, sua esposa, era uma personagem bondosa, alegre e divertida.

Mónika brilhou no papel e teve grande destaque, porém a personagem deixou a trama para que o romance dos protagonistas pudesse, de fato, começar. O primeiro beijo de Victoria e Arriaga acontece somente depois do capítulo 100.

Susana González como Beatriz

No quesito personagens femininas, Beatriz foi um grande acerto. Susana imprimiu aqui uma mulher sofrida, batalhadora e com um grande coração. Não lembrava em nada seu trabalho anterior como a malvada Cynthia Monteiro em La Que No Podía Amar, também excelente. A personagem fez tanto sucesso que, em alguns capítulos, praticamente tudo gira em torno de seu sequestro.

Beatriz e Salsero roubaram a cena como casal (Foto: Divulgação).

As reviravoltas

A novela podia ser enrolada às vezes, mas sabia prender o público, característica fundamental de um bom folhetim. Sem dúvidas, as grandes reviravoltas contribuíram para isso, como o fato de o grande vilão da história só ser revelado na última semana.

A trilha sonora

A trama já iniciava com “No Me Compares” e tinha para cada casal uma belíssima canção, como “Ahora Tú” para Victoria e Arriaga e “Me Puedes Pedir Lo Que Sea” para Nikki e Guzmán. Essa última é um dueto cantado por Eiza González e Marconi.

Arriaga e Victoria (Foto: Divulgação).

O núcleo cômico

Era composto pela divertida empregada Polita (Michelle Rodríguez), que tinha o sonho de se tornar uma cantora muito famosa; Tomasina (Raquel Morell), com seu horóscopo chinês; e o emotivo Jean Marie (Rubén Branco).

O PIOR DE AMORES VERDADEROS

Sherlyn como a irritante Liliana

É bem verdade que, no início, Nikki parecia ser a grande vilã da história e Liliana, mais uma vítima. Porém, com o tempo, enquanto uma personagem evolui positivamente, a outra se desconstrói totalmente como ser humano. 

Ao descobrir ser neta de Aníbal, Liliana se torna arrogante e faz de tudo para atrapalhar o romance de Guzmán e Nikki. Nos últimos capítulos, a personagem está à beira da morte e adivinhem qual é seu último desejo? Se casar com Guzmán! A garota não desiste nunca! Nikki, muito madura, aceita o último pedido da prima, porém Arriaga não permite que sua filha atrapalhe a vida do casal por causa de um capricho.

Chora não bebê (Foto: Divulgação).


A barriga

Não chega a atrapalhar tanto a trama, mas convenhamos: se fosse mais curta, talvez o fluxo fosse bem mais positivo. Kendra, por exemplo, passa grande parte da novela sem função, apenas desfilando com fantasias sexuais por seu apartamento, quando deveria ser a grande vilã feminina da história.

E eu arrasei ,tá? (Foto: Divulgação).


A direção de cenas

Gritos, carões e muitos slows em cenas de ação. Essas são algumas das características da direção retrógrada de Salvador Garcini.

O diretor até fez um trabalho decente em Soy Tu Dueña (A Dona), com exceção de algumas cenas, como a morte da personagem Benita (Ana Martín). Porém, em Amores Verdaderos, ele pagou alguns micos. E não foram poucos, risos.

CURIOSIDADES

Amores Verdaderos contou com diversas participações especiais, como Angélica Vale, Sabine Moussier, Marcelo Córdoba, a cantora Malú, Gabriela Goldsmith, Luis Xavier, Patsy, Renata Flores, dentre outras.

A novela também contou com um casal homossexual, formado já na reta final da trama pelo cozinheiro da família Balvanera, Jean Marie e o filho de Odette, Stéfano (Archie Lanfranco). Na última semana, tivemos até casamento. Porque se tem uma coisa que essa novela não economiza é em acontecimentos na última semana.

ELENCO

Grandes nomes fizeram parte dessa produção, entre eles Erika Buenfil, excelente como Victoria; Eduardo Yáñez, muito carismático como Arriaga; Mónika Sánchez; Sebastián Rulli; Eiza González; Ana Martín; Enrique Rocha; Guillermo Capetillo; Natalia Esperón; Silvia Manríquez; Marjorie de Sousa; Susana González; Lisardo; Sherlyn, dentre muitos outros nomes.

MAS VALE A PENA?

Mesmo com algumas falhas, Amores Verdaderos é um excelente folhetim, capaz de atrair qualquer telespectador que goste de uma boa novela mexicana, entregando uma boa dose de ação, romance, drama e comédia.

Nicandro Díaz foi feliz com essa produção, reunindo uma boa história e um elenco muito competente. O principal pecado fica por conta da duração excessiva, de alguns arcos completamente dispensáveis e, claro, de uma cenografia que poderia ter recebido um pouco mais de carinho.

Nikki e Guzmán (Foto: Divulgação).

No fim das contas, Amores Verdaderos é exatamente aquilo que promete: muito amor, muita vingança, muito segredo, muita gente descobrindo que é parente de alguém e, principalmente, muita coisa acontecendo na última semana.

E talvez seja justamente esse o charme. Porque novela boa não precisa fazer sentido o tempo todo. Às vezes, basta entregar o circo que entretém. E Amores Verdaderos entrega — com direito a tapa na cara, veneno, lixão, casamento, cegueira e uma árvore genealógica que faria qualquer geneticista pedir demissão.


AVALIAÇÃO FINAL

Roteiro e argumento: (3,5/4,0)

Personagens e atuações: (2,5/3,0)

Qualidade técnica: (1,5/2,0)

Direção e ritmo: (0,7/1,0)


NOTA FINAL: 8,2/10,0

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