REVIEW| Hometown Cha-Cha-Cha: um convite para desacelerar

Hometown Cha-Cha-Cha é um k-drama produzido e exibido em 2021 pela emissora de tv por assinatura tvN na Coréia do Sul. A produção também se encontra disponível no catálogo da Netflix com um total de 16 episódios com cerca de 70 minutos cada. No elenco,  Shin Min-a, Kim Seon-ho e Lee Sang-yi encabeçam os papéis principais.



Essa é uma daquelas ficções que tinha curiosidade em assistir, porém sempre outra passava na frente. Porém, finalmente consegui colocá-la na minha grade e o resultado conto a seguir a quem interessar.

A trama


Yoon Hye-jin (Shin Min-a) é uma jovem dentista que vive na cidade grande e tem uma vida estável. No entanto, cansada da forma desonrosa que sua chefe lida com os pacientes, ela decide abandonar esse emprego. Essa decisão custa caro, pois ela não consegue emprego em nenhum outro consultório da cidade. 

Em uma viagem para uma vila litorânea chamada Gongjin, Hye-jin enxerga a possibilidade de montar uma clínica no local para atender a população enxuta do povoado. É nesse local também que ela conhece o faz tudo Hong Du-sik (Kim Seon-ho), um habitante bem popular na região e que é conhecido por ajudar todo mundo, porém os dois não se entendem no início e vivem trocando farpas. 

Após se instalar na localidade, a dentista precisa se adaptar a vida pacata dos moradores, além de costumes bem diferentes do que estava acostumada, e quem sabe, descobrir o verdadeiro amor ao lado de quem ela menos espera.



Ritmo cadenciado, cidade pequena e romance


A proposta desse dorama não é inventar a roda, tampouco contar uma história cheia de reviravoltas e muita ação. Quem espera isso, pode pegar seu banquinho e procurar outro local. Hometown Cha-Cha-Cha é um drama sobre personagens, relações familiares e amadurecimento.

No enredo, em cada episódio acompanhamos algum acontecimento na pequena vila de Gongjin. Além dos protagonistas, outros personagens ganham espaço com seus enredos comoventes, como o trio de idosas, a fofoqueira dona de um restaurante, um músico frustrado, um casal que se divorciou, uma mulher grávida que lida com o cansaço e a falta de sensibilidade do marido, dentre outros.

Moradores de Gongjin (Foto: Divulgação/tvN)


Ademais, a produção abre espaço para falar de temas sociais como machismo, assédio no trabalho e casamento. Outro adicional que me chamou bastante atenção é a profissão da protagonista. Como dentista, ela lida com a dificuldade que as pessoas da vila tem em realizar procedimentos dentários por causa do alto custo de manutenção.

Nesse sentido, o maior feito do roteiro é conseguir equilibrar todos esses personagens e suas tramas, ao mesmo tempo que mantém todos interligados de alguma forma. Mais do que apresentar histórias paralelas, cada núcleo contribui para aproximar os protagonistas, colocando-os diante de diferentes conflitos e perspectivas sobre a vida. Ao atuarem como mediadores dessas situações, os moradores de Gongjin ajudam Hye-jin e Du-sik a questionarem suas próprias convicções e a desconstruírem, aos poucos, aquilo que acreditavam ser a maneira correta de lidar com o mundo.

Enquanto Hye-jin aprende a deixar de lado parte de sua soberba e a olhar para as pessoas com mais empatia, Du-sik começa a permitir que os outros se aproximem de maneira mais profunda, abrindo espaço para que conheçam não apenas seu lado prestativo e bem-humorado, mas também suas fragilidades emocionais. Dessa forma, o desenvolvimento dos protagonistas não acontece de maneira isolada, mas é impulsionado pelas relações que constroem com os demais habitantes da vila.

A condução é lenta, mas dá espaço para o público ir se familiarizando com a rotina do local aos poucos, a ponto de simpatizar com cada morador e seus dilemas.

Uma produção caprichada


A fotografia desse dorama é um dos seus grandes destaques. A utilização de uma paleta de cores vivas valoriza a beleza natural de Gongjin, permitindo que o telespectador aprecie as paisagens litorâneas e a atmosfera acolhedora da pequena vila. 



Além de tornar o cenário visualmente convidativo, essas escolhas estéticas conferem à produção um tom mais leve e descontraído, que combina perfeitamente com a proposta de uma comédia romântica. Assim, a ambientação não funciona apenas como um pano de fundo bonito, mas também contribui para construir a identidade visual e transmitir a sensação de tranquilidade que acompanha a narrativa.

Vale a pena?


Sim. Hometown Cha-Cha-Cha é uma série tranquila para quem procura algo para ir contra essa maré acelerada que vivemos nos dias de hoje. É uma produção que valoriza as coisas do dia-a-dia e mostra que muitas vezes a felicidade está na simplicidade. 

VIVA O SIMPLES!


AVALIAÇÃO FINAL

Roteiro e argumentação: (4,0/4,0)
Personagens e atuações: (2,0/3,0)
Qualidade técnica: (2,0/2,0)
Direção e ritmo:(1,0/1,0)

Nota final: 9,0/10,0

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