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CRÍTICA| Primeiras Impressões de Yüz Yıllık Mucize


(Foto: Divulgação/Star TV)

Estreou na última quinta-feira (23/03) a nova dizi (novela turca) do canal Star TV na Turquia. Trata-se de Yüz Yıllık Mucize (ou Cem Anos de Milagre). A produção é da OGM Pictures (Meu Lar, Meu Destino), e conta com as atuações protagonistas de Birkan Sokullu (Masumlar Apartmani) e Ebru Şahin (Hercai). A história é original da Dra. Gülseren Budayıcıoğlu (Yalı Çapkınıe do exitoso produtor de TV Onur Güvenatam, com roteiro de Nuran Evren Şit (O Segredo do Templo), e direção de Hilal Saral (Fatmagül, Amor Proibido).

Sinopse:

O drama traz a história de Ali Tahir (Birkan), um homem que conseguiu o dom da imortalidade. Durante 130 anos ele viu pessoas próximas irem embora, guerras, conspirações, e gerações surgirem e acabarem em questão de anos. Após toda essa jornada, Ali tem uma perspectiva cansada sobre a vida, e pretende encerrar esta aventura de uma vez por todas. Todavia, sua vida ganha novos ares quando ele conhece Harika (Ebru), uma jovem advogada que é aspirante a escritora. A partir de então, Ali percebe que a pergunta que ele questionou por toda sua vida pode estar próxima de ser respondida.

Como foi a estreia?

Este primeiro capítulo foi uma abertura encantadora, a qual se concentrou em apresentar ao público os conflitos pessoais dos personagens centrais. Além disso, o texto do episódio é bem focado em provocar questionamentos no público sobre vida e morte, com uma linguagem coesa e competente dentro da proposta.

Questionamentos filosóficos

Nesse sentido, alguns diálogos chamam atenção e já dão pistas do que podemos esperar na telenovela. "Só retorna à vida aquele que é capaz de cortar laços com seu passado". Esta citação aparece duas vezes e possui várias camadas. Em primeiro lugar, traz uma reflexão sobre a vida humana, e os conflitos que permeiam a humanidade no que diz respeito a recomeços. É possível ter uma nova vida se o teu antes te condena? Ou trazendo para o conflito do melodrama, será que Ali Tahir conseguirá uma vida ao lado de Harika, se seu passado com Süreyya (Zerrin Tekindor) ainda não está totalmente fechado?


Cena da dizi (Foto: Divulgação/Star TV)

Numa era onde o imediatismo dita regras, sejam elas sociais ou emocionais, é interessante questões como essa serem levantadas. Vivemos um momento fadado a questionamentos rasos e análises superficiais, muita das vezes pautadas em conceitos prontos, elaborados em perspectivas diferentes. Acredito muito na ideia que como sociedade, precisamos abraçar nosso lado humano e extrair deste o que há de positivo. Portanto, ter empatia, companheirismo, saber perdoar, e acima de tudo, estar prontos para novas aventuras, sejam elas reais ou imaginárias.


(Foto: Divulgação/Star TV)

Rumos

Seguindo, em outro momento Ali diz a Harika o seguinte: "Se você quer escrever um romance como se fosse um conto de fadas, esta história não é para você". Em outras palavras, os roteiristas estão dizendo ao público que este drama não será algo tão simples, e sim uma exploração mais visceral sobre a humanidade e seus medos e anseios.

Desse ponto, é interessante o texto trazer essa visão de mundo para uma ficção. Afinal, cada ser humano possui uma história de vida, com subidas e descidas, quedas e paradas, porém uma jornada que todos querem que acabe bem. E aqui o mais importante também é que o público abra mão de arquétipos e fórmulas prontas pautadas em conceitos maniqueístas. Isto é, a audiência deve ter a oportunidade para entender porque personagens complexos, e que vão além do papel de heróis ou vilões, são importantes para criar empatia com o meio social em que estamos inseridos.


Birkan Sokullu como Ali Tahir (Foto: Divulgação/Star TV)

Roteiro clássico

Ademais, se formos levar em consideração apenas o conflito inicial do protagonista do drama, o roteiro se encaixa perfeitamente em uma narrativa de três atos. O episódio inicia com o protagonista fazendo vários questionamentos (primeiro ato), depois temos o choque de perspectiva quando ele encontra Harika (segundo ato), e por fim a resolução com Ali desistindo de tirar a própria vida para viajar com a mocinha (terceiro ato). Isto é, poderia facilmente ser o roteiro de um longa metragem se não fosse o gancho para o próximo capítulo.

Apesar desse viés filosófico, Yüz Yıllık Mucize também é preenchida com alguns arcos folhetinescos. Ou seja, é provável que tenhamos a elaboração de triângulos amorosos, reviravoltas e muitos mistérios nos próximos episódios.


Gancho do primeiro capítulo (Foto: Reprodução/Star TV)

Parte técnica

Um grande ponto a favor da dizi nesse primeiro momento é a direção nas mãos da engenhosa Hilal Saral. A diretora conseguiu extrair toda a magia do texto através de belas imagens, cor, brilho, e enquadramentos que poderiam facilmente virar um wallpaper


(Foto: Reprodução/Star TV)


(Foto: Reprodução/Star TV)


Enquadramento fechado (Foto: Reprodução/Star TV)

Somado a isso está a apaixonante música de Alp Yenier, o qual traz emoção na medida certa. Sem dúvidas, já é uma das sonografias mais lindas e tocantes que ouvi nesses anos consumindo ficções otomanas. Porém, ainda estou esperando pela abertura, e qual tema vão escolher. Expectativas altas foram criadas!

Além disso, também merece reconhecimento o cuidado pela caracterização da atriz que faz a Süreyya na juventude. De fato, aqui temos um antes e depois que convence o público.


Cemre Gümeli (esquerda) e Zerrin Tekindor (direita) (Foto: Reprodução/Star TV)

Atuações

Antes de dar play no episódio, algo que eu tinha certeza que gostaria muito na dizi seriam as interpretações. Afinal, o que mais esperar de um time de estrelas competentes como esse? Pois é, não teria como ser diferente.

Ebru Şahin engata aqui sua terceira protagonista, e faz com muito cuidado, serenidade e espontaneidade. A atriz consegue passar uma sensação de pureza incrível na personagem. Uma mulher que vê a vida com bons olhos, e tem uma visão otimista sobre todas as coisas. Ao mesmo tempo, a estrela também segura bem no drama, e possui um bom time na hora de aumentar o tom para cenas que exigem uma condução mais natural.


Ebru Şahin em cena (Foto: Reprodução/Star TV)

Do mesmo modo, o ator Birkan Sokullu brilha na pele de um homem atordoado pelo peso da imortalidade. Aqui o artista traz uma atuação mais contida nas expressões, porém ainda significativas e que despertam empatia para com o seu personagem.


Birkan Sokullu em cena (Foto: Reprodução/Star TV)

Ainda sobre o elenco, vale destacar as interpretações de Zerrin Tekindor (Amor Proibido) como a tia de Harika, Necip Memili (Çukur) provando que está preparado para qualquer personagem, seja vilão ou não, e a veterana Hümeyra (Força de Mulher), encantadora como a avó da protagonista. Além destes, quem também deu as caras nesse primeiro momento foi a atriz Gözde Seda Altuner (Iludida), que promete ser a parte caótica do drama.


(Foto: Divulgação/Star TV)

Yüz Yıllık Mucize caminha para ser uma drama sobre a humanidade. O roteiro prepara terreno para discussões filosóficas, apoiado numa direção mágica e uma trilha envolvente na medida. 


Nota para a estreia: 10,0

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